sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Trovões, redação e a vida

Há meses que não escrevo aqui, muita coisa mudou, muita coisa passou, mas a chuva ainda me aflige. Hoje, além da chuva, os trovões me tiram a paz. Engraçado pensar que um pobre de um trovão tira a minha paz dentro de uma redação. Um dos locais onde a tranquilidade parece inexistente. Na redação consigo me concentrar, apesar de toda agitação, TV ligada, telefones berrando, gente falando alto, risadas e reclamações. E quantas reclamações, as de dentro e as que vem de fora. Jornalistas têm mania de reclamar, reclamam de tudo. A pauta é grande, é pequena, é boa, é ruim. Os personas falam muito, falam pouco, são antipáticos ou simpáticos demais. Mas isso não quer dizer que não há paixão pelo que se faz. Jornalismo é movido por paixão. Paixão pela notícia, pela verdade, pelo fato, pelo furo. Paixão pela vida. Ainda que nenhum de nós um dia fiquemos ricos nessa área, a satisfação é nosso melhor e maior salário. A recompensa vem a cada dia, a cada matéria publicada, cada história que mexeu com pelo menos um leitor, que desestabilizou estruturas antes consideradas imóveis. Agradar, agradamos a poucos. Mas nosso papel não é mesmo o de agradar ninguém. Nosso compromisso é relatar os fatos, mostrar a verdade e esperar pela mudança que pode advir de algumas dezenas de linhas. É para isso que estudamos, é para isso que dedicamos a maior parte do nosso tempo e muito tempo da nossa vida. E uma vida não tem preço.