quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sem opinião?

Em um tempo não muito distante, havia uma menina, quase moça, que adorava política, se envolvia em todas as questões, lia todos os jornais disponíveis e defendia suas opiniões com unhas e dentes. Com esse comportamento, perdeu alguns amigos, ganhou outros, sempre acreditando que poderia ajudar na construção de uma sociedade mais justa. A menina relamente acreditava no seu sonho. Os anos se passaram, o país mudou, muitas coisas avançaram, outras regrediram, mas o mundo se tornou um pouco melhor para uma boa parte da população. A menina cresceu, tornou-se mulher, mas foi, aos poucos, perdendo a fé no ser humano. E ganhando fé em Deus. Durante sua vida profissional, encontrou gente de todo tipo, viveu um pouco no coração do mundo político e hoje, apesar de ainda trabalhar duro, não pode dar um pio sobre a sua verdadeira opinião. Ócios do ofício.

domingo, 23 de setembro de 2012

Em conversa com um grande amigo, comentei que agora, na faixa dos 40, deveríamos estar mais tranquilos, o que ele discordou veementemente. "Imagina, a vida está apenas começando". Concordei. Tenho uma ânsia enorme de viver. E olha que já vivi bastante. A vida está mudando. Assim como eu, os que amo estão envelhecendo, mas a gente envelhece apenas no físico. Tenho alma de menina. Uma vontade enorme de fazer muita coisa, de realizar sonhos que ainda não realizei. Claro que um dos meus maiores objetivos é investir fundo na educação do meu filho, vê-lo homem e feliz, pleno em suas escolhas. Mas ainda tenho planos pra mim, pra minha vida. E não é que aos 46, praticamente uma senhora, me descubro apaixonada como uma menina de 15? O que antes para mim era improvável, após um relacionamento relativamente longo e desgastante, acinteceu e esqueci todo o passado e estou pronta pra um futuro novo.d Não importa se esses planos serão materializados, mas a vontade de fazê-los dar certo me dão um ânimo extra, uma alegria juvenil.... Amar, dedicar energia em conquistar o outro, se alegrar com os pequenos carinhos e descobrir-se novamente apaixonada me fez acreditar que a vida realmente é um eterno recomeçar. Dar um passo atrás do outro, nem que seja no escuro. Nem que seja em terreno desconhecido... Não temer o tombo, o escorregão, os tropeços, é dar uma nova chance à vida. É esse o momento especial que ando vivendo. E estou por demais feliz. E que venham as coisas novas... E se não vierem, tenho a tranquilidade de saber que estou viva por dentro. Como há anos não me sentia.... Realmente, viver é mto bom!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vida boa....

Salvação

Vivo há alguma tempo às voltas com a, hoje famosa, síndrome do pânico. Estou tratando há mais de um ano, estabilizada, melhor. Mas hoje a bendita da crise resolveu dar o ar da sua graça. Coração disparado, suor gelado nas mãos, sensação de morte. 'Ude, vc não vai morrer'. Eu sei que não vou, pelo menos nesta hora, mas quem é que controla a cabeça? Fico possessa com quem não entende, lança olhares de 'o que é isso, minha gente?', e tem dificuldade em acreditar que eu, a fortaleza em pessoa aos olhos do mundo, me envergo diante de uma crise de pânico. Não há explicação. No momento, não há saída. Inspira, expira, inspira, expira. Assim como ela vem, vai embora. E fica o medo de encontrá-la novamente. Não quero. Exijo que suma. Torço ardentemente para que desapareça. E volto à rotina. Esperançosa e determinada. Ela não voltará mais.
Me vem à cabeça um texto da amada Clarice Lispector, o mesmo que está aqui no blog, "Escrever é uma maldição que salva. É Uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva...." Talvez eu precise mesmo voltar a escrever. Aqui. Soltar a alma, destravar os sentimentos, jogar td pra fora..... É o que farei a partir de hoje. Ou de amanhã....

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Trovões, redação e a vida

Há meses que não escrevo aqui, muita coisa mudou, muita coisa passou, mas a chuva ainda me aflige. Hoje, além da chuva, os trovões me tiram a paz. Engraçado pensar que um pobre de um trovão tira a minha paz dentro de uma redação. Um dos locais onde a tranquilidade parece inexistente. Na redação consigo me concentrar, apesar de toda agitação, TV ligada, telefones berrando, gente falando alto, risadas e reclamações. E quantas reclamações, as de dentro e as que vem de fora. Jornalistas têm mania de reclamar, reclamam de tudo. A pauta é grande, é pequena, é boa, é ruim. Os personas falam muito, falam pouco, são antipáticos ou simpáticos demais. Mas isso não quer dizer que não há paixão pelo que se faz. Jornalismo é movido por paixão. Paixão pela notícia, pela verdade, pelo fato, pelo furo. Paixão pela vida. Ainda que nenhum de nós um dia fiquemos ricos nessa área, a satisfação é nosso melhor e maior salário. A recompensa vem a cada dia, a cada matéria publicada, cada história que mexeu com pelo menos um leitor, que desestabilizou estruturas antes consideradas imóveis. Agradar, agradamos a poucos. Mas nosso papel não é mesmo o de agradar ninguém. Nosso compromisso é relatar os fatos, mostrar a verdade e esperar pela mudança que pode advir de algumas dezenas de linhas. É para isso que estudamos, é para isso que dedicamos a maior parte do nosso tempo e muito tempo da nossa vida. E uma vida não tem preço.