segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Velha é a vovózinha!

Quando a gente ouve uma história triste pela qual ainda não passamos, fica difícil avaliar como reagiríamos diante do fato. Mas depois de mais de 40 anos vividos, o que é difícil é não ter passado por uma história triste. Ainda bem porque somos formados por alegrias, dores, crises, abundâncias..... Pois eu nunca havia passado pela sensação de me sentir imprestável. É pesado sim, mas tô querendo dizer imprestável no sentido de não estar servindo pra mais nada. De ser descartável. Concordo que ninguém é insubstituível, mas ninguém é descartável diante da vida. Todos temos um valor único. Eu não sou igual a ninguém mais, e isso serve para absolutamente todos nós. E no mundo do trabalho isso chega a ser cruel. Porque eu achei que estávamos anos-luz daquela época em que a pessoa com mais de 40 anos não conseguia trabalho. Hoje vivo numa realidade em que os mais de 40 não é que não encontram mais trabalho, não é isso. É ser considerado ultrapassado. E isso eu não aceito. Tenho 43 e muita coisa a oferecer. Muita mesmo. Não aceito e não aceitarei nunca a bobagem de que 'estamos velhos, temos que deixar os jovens tomarem os nossos lugares'. Se fosse assim, deveríamos nos aposentar então aos 45. Para morrer aos 50. Tem mulheres hoje tendo filho aos 50, tá doido?????? Essa é uma idéia pequena, minúscula aliás, onde o maduro deve ser descartado e com ele, toda experiência e dedicação e maturidade. Hoje não há mais respeito pelo companheiro de trabalho, por aquele que precisa e se doa tanto quanto vc. Essa é a porrada mais cruel da vida. E ter que viver nesse meio ao invés de estar vivendo por quem - e com quem - nos ama e a quem amamos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tem dias que....

Quem é que nunca teve um dia que gostaria de esquecer? Pois o meu foi hoje. E olhe que ele ainda não acabou. Dormi mal, acordei, liguei pra casa da minha mãe (Giovanni dormiu lá) e escuto aquele 'alô' tão amado. "Não, não tá tudo bem, mamãe, a vovó caiu. Estamos esperando a ambulância. Vem pra cá, mãeee........" E lá vou eu, voando, sem olhar direito as ruas, pra casa da vovó. Encontro meu filho tremendo, minha mãe sentada, aquele climão.... E saio para tirá-lo de lá, para que não veja a vovó na ambulância.... E hoje é sexta de carnaval. Dia que a colégio inteiro vai de fantasia. E a mamãe não sabia.... Perto já vemos bruxinhas, jogadores de futebol, bailarinas, mágicos, fadas, prisioneiros, piratas.... E o meu menino de uniforme. Meu coração parou. Meu estômago doeu. "Filho, perdão". "Ainda bem que eu trouxe a faca", me diz ele. A faca - uma tiara, que quando colocada na cabeça parece que atravessou o cérebro - estava na mochila. Chegamos na quadra, aquele bando de fantasia, inclusive as professoras. E eu com um nó na garganta. E lá vai a fila, cheia de personagens.... meu filho com a faca na cabeça e eu, no coração. Ô dia de merda!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Que sorte a nossa.....

Hoje encontrei a sogra de uma amiga que recentemente perdeu o marido. A conversa foi rápida, mas ela se mostrou bem triste ainda. Eu dentro do carro com o Giovanni e ela fora. Assim que saímos ele me disse:
- Mamãe, por que aquela mulher estava chorando?
- Porque o marido dela morreu.
- Ah, todo mundo vai morrer um dia.....
- Pois é, filho. Mas é duro de aceitar, a gente sofre mesmo, mas faz parte da vida.
Silêncio de 10 segundos, mais ou menos.
- Mamãe, sabe por quem a gente nunca vai ter que sofrer?
- Não...... Por quem?
- Pelo Peter Pan. Como ele não vai crescer, não vai morrer.
Então tá. Que sorte a nossa.............

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Prina's no 'Brasile'
























Longe

Faz mto tempo que não escrevo aqui. Aliás, mal abri esse espaço nos últimos dois meses e meio. Justamente quando peguei uma editoria pesada no jornal. Pauleira de verdade. Honestamente, me esqueci do blog. Me esqueci de mta coisa importante. O trabalho tornou-se o centro da minha vida por esse tempinho. E acabei aprendendo mais uma. A gente tem que trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Porque num belo dia, novamente me mudaram. Agora para uma editoria mais light. Confesso que fiquei puta. Odiei. Pareceu-me que andei 40 km e voltei 70. E não foi fácil ter que me ajeitar de novo em algo meio desconhecido, redescobrir a graça do novo, reencontrar o prazer de criar algo que eu não valorizava. Não sei se foi mais uma ironia do destino, daquelas que te pegam pelo pé. Mas td bem. Já passou. Vamos em frente. Quem não aceita desafios não merece o que a vida tem que melhor: a capacidade de adaptação, de aceitação, de conquista.