segunda-feira, 30 de março de 2009

Bezerra de Menezes

Simplesmente fora de série o filme "Bezerra de Menezes" com Carlos Vereza. Eu já havia escrito um post falando que queria ver, mas não imaginava o quanto esse filme iria mexer comigo. Se você não entrar no clima, ele pode até ser bem chato, mas para quem vê o filme como uma proposta de vida, é simplesmente excelente. As falas são sensacionais... Ainda mais que uma amiga me contou que, na gravação, o Carlos Vereza fugia do texto, inspirado pelo médium. Embora eu não seja espírita, as lições passadas no filme deveriam ser vistas - e engolidas, respiradas e bebidas - por todos. Uma pequena mostra do quão horrível é o preconceito. Seja ele qual for. Está indicado!

quarta-feira, 25 de março de 2009

O nó


Amanhã faz dois anos que meu pai partiu. E desde o momento que minha mãe me lembrou da data, um nó instalou-se na minha garganta. E aqui está. E parece que não quer sair. Tenho muitas lembranças dele já adulta, mas puxando pela memória, lembro-me de um dia em que ele me levou ao "bar" para comprar garrafas de "refresco", já que eles estavam comemorando 20 anos de casamento. Logo, eu tinha 7 anos. No caminho, que na época para mim era longo e hoje eu conto dois quarteirões, eu disse "Nossa, pai, 20 anos de casado". E ele respondeu: "20 anos de enforcado". Não entendi a brincadeira, mas me lembro que fiquei com pena dele. E durante muitos anos da minha vida tive pena dele. E só hoje eu entendo que minha pena era porque meu pai era calado. E os calados, para mim, eram coitados. Hoje sei que eles são sábios. Muito sábios. Gostaria de ter puxado esse lado do meu pai. Porque sei que quem muito fala, muito erra. E ele me dizia que a gente tem uma boca e dois ouvidos justamente para ouvir mais e falar menos. Meu irmão, após ler um post sobre o meu pai, me escreveu uma coisa linda. "Minha mulher fez, assim que viu o sofrimento que todos nós enfrentávamos após a morte de nosso pai, um comentário que me marcou: 'Quando morrem, as pessoas que amamos saltam para dentro da gente'. E é dentro de mim, e de cada um de nós que nosso pai continua vivendo. O que é mais enriquecedor é o fato de não termos do que perdoá-lo, já que ele - sem qualquer vaidade, sempre deu o máximo que podia, sem reclamar nem se queixar. Grande pai.Saudades." Com toda razão, indo, meu pai saltou para dentro de mim. E me orgulho muito disso.

terça-feira, 24 de março de 2009

Verdade verdadeira!

"O cristianismo não é um conjunto de verdades nas quais devemos acreditar, de leis que devem ser cumpridas, de proibições! Assim se torna muito repugnante. O cristianismo é uma pessoa, que nos amou tanto, que pede nosso amor. O cristianismo é Jesus Cristo e o evangelho."
(Oscar Romero)

Desapego


Há uns sete anos, fui madrinha de casamento de uma amiga querida junto com um primo dela. Na época, soube que ele morava numa aldeia, no Amazonas. Em janeiro desse ano, tive a oportunidade de revê-lo e vi algumas fotos da aldeia. Na hora quis escrever uma matéria, mas ele - muito humilde - ficou todo sem jeito. Sem delongas - e depois de muitos e-mails, consegui. E reproduzo aqui. A matéria foi publicada no JP dia 22/03/2009.

Um piracicabano que vive na taba

Ude Valentini
ude@jpjornal.com.br

Em setembro de 2000, o piracicabano Hilton Silva do Nascimento, o Kiko, 36, foi contratado por um ano, pela ONG (organização não-governamental) Centro de Trabalho Indigenista (CTI) como ecólogo responsável pela avaliação da situação dos recursos da fauna, em uma parte da Terra Indígena (TI) Vale do Javari, quando passou a conhecer o povo matis. Durante o período dos levantamentos ambientais, Kiko manteve longos contatos com vários matis e como conseqüência aprendeu a falar a sua língua, envolvendo-se com a situação do povo, suas dificuldades, problemas e demandas.
"Eles estavam procurando um professor que os ajudassem a aprender português e um pouco de matemática, para que conseguissem ter uma relação mais de igual com os comerciantes da cidades de Atalaia do Norte, que sempre os enganavam durante as suas transações comerciais: venda de galinhas, paneiros de farinha e compra de produtos que já havia se tornado dependentes como chinelo, sal, querosene para lamparina, gasolina para o motor, roupas, entre outros", explica. De acordo com ele, os matis queriam um professor "de longe" como eles mesmo diziam, já que os da região não conseguiam ficar muito tempo na aldeia porque "tinham muitos preconceitos contra os índios".
Kiko conta que, na verdade, eles queriam um professor que dançasse em suas festas, falasse sua língua, comesse suas comidas; uma pessoa que respeitasse suas diferenças culturais e soubesse valorizá-la como uma grande experiência e não como uma cultura menor. "Foi assim que comecei a enveredar pelo caminho da educação, aqui no caso, da educação escolar indígena. Foi junto ao povo matis que aprendi a ser professor, educador e alfabetizador", resume.
Quando encontrou a comunidade matis, Kiko acabou descobrindo uma escola que não funcionava com regularidade e onde, depois de anos, somente cerca de 20 jovens do sexo masculino tinham aprendido a ler, jovens que sentiam-se superiores aos outros por terem dominado o aprendizado dos "não-índios". "Aprender a língua, respeitar as dificuldades de uma sociedade onde todas as histórias são passadas de geração para geração pela oralidade e não por meio da escrita, respeitar certas características culturais — como a forte divisão sexual de trabalho, não misturando turma de mulheres com de homens — ou seja, entender e respeitar as características culturais que qualquer sociedade possui foram fundamentais para mudar essa situação", comenta.
Assim, após dois anos de trabalho, a leitura e a escrita já não eram mais algo mágico que muitos deles não conseguiam aprender. Tanto a geração mais velha quanto a mais nova desses primeiro jovens que tinham aprendido a ler, também já dominava a leitura e agora, pela primeira vez, um grupo de mulheres também tinha tido acesso a leitura e escrita.
Depois da atuação junto aos matis, o CTI percebeu que o povo kanamary também estava com muitas dificuldades em suas escolas, todas elas tendo professores indígenas da própria comunidade, uma determinação do governo, colocada em prática desde 2002. "Colocar professores indígenas era uma forma de que sua cultura e regras sociais fossem respeitadas na escola", observa. Diante dessa situação de dificuldade dos professores kanamary, Kiko e a professora Pollyana Mendonça fizeram um acompanhamento pedagógico dessas escolas: ver quais alunos já sabiam ler e quais eras as dificuldades, inclusive dos professores, no processo de ensino-aprendizagem. "O rio Itacoaí — que faz fronteira entre o Brasil e o Peru — possui três escolas, sendo que a primeira comunidade só foi alcançada após cinco dias de viagem, de canoa", conta.
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SATISFAÇÃO — Há inúmeros exemplos de situações ímpares que Kiko vive em seu dia-a-dia. Um deles, viveu com o pequeno Gilber Lopes Kanamary, 5, estudante da escola da comunidade do Irari 2, localizada na beira do rio Javari, fronteira do Brasil com o Peru, a 36 horas da cidade mais próxima, Atalaia do Norte. "O rio havia subido e para podermos chegar até a escola era necessário pegar uma canoa todos os dias. Um dia em que a maioria dos alunos já tinha cruzado o rio, subi em outra canoa e os adultos mandaram um dos alunos me ajudar. Ele rapidamente subiu na canoa e virou meu ‘piloto’. Ali estava ele ajudando a levar seu professor para a escola. Naquele momento, eu já não era mais o professor pois ele, um menino de cinco anos de idade, manejava o remo com uma experiência e conhecimento muito maiores que os meus. Nossas posições tinham se invertido: ele, com apenas cinco anos, é que era meu professor e me ensinava a maneira correta de remar".
Apesar de realizar esse trabalho na área de educação, Kiko continua atuando também como ecólogo, já que acompanha as questões ambientais e ameaças do entorno da Terra Indígena Vale do Javari. "Ajudar essas crianças que querem tanto aprender a ler e não conseguem é uma grande satisfação", enfatiza. Ele diz que nessas escolas — sem carteiras, lápis e cadernos, onde a casa de um professor vira a escola e que mesmo assim os alunos se esforçam muito para aprender a ler — pode-se presenciar a alegria de aprender e ter o prazer de ensinar. "O sorriso no rosto desses meninos que começam a perceber que são também capazes de ler é algo muito gratificante. Poder mostrar a eles que todos podem ler e escrever, e que nossas diferenças são apenas culturais, é maravilhoso".
Kiko ainda faz um alerta sobre o preconceito que os povos indígenas sofrem da parte dos "não-índios". "Ainda vivemos o mito colonial do índio nu, com cocar na cabeça. Ainda temos uma visão muito romântica e equivocada. Ninguém deixa de ser índio porque usa roupa, nenhuma cultura é reduzida a uma roupa. Nós também não vivemos mais como nossos pais, que não tinham internet, tv a cabo, celular e nem por isso deixamos de ser brasileiros. Em São Paulo ficamos fascinados pelos índios da Amazônia, mas não perguntamos pelos índios de São Paulo, uma das maiores populações indígenas do Brasil. Índios que, como no caso dos guarani do Pico do Jaraguá, em São Paulo, à beira da rodovia dos Bandeirantes, vivem em uma situação precária, em um minúsculo terreno que não permite mais fazer nem roça. Apesar de tudo isso, de estarem espremidos entre a Bandeirantes, casas caras e uma área de conservação ambiental, ainda falam a língua e tentam manter sua cultura, que não se reduz a vestir ou não vestir roupa. São Paulo também tem índios e a situação deles também é difícil".

Amar



Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar. (Rubem Alves)

terça-feira, 17 de março de 2009

Simplicidade

Era uma vez um reino onde viviam muitas pessoas. Onde não havia dinheiro; a moeda de troca era baseada na produção de cada um. Nesse reino não havia maldade, concorrência, especulação e ninguém buscava o poder. As pessoas simplesmente viviam. Nasciam, aproveitavam o que a vida lhes proporcionava e depois de muitos anos, morriam. Que bom se tudo fosse assim. Que bom se esse reino existisse. Que bom se a gente não tivesse que matar um leão por dia para poder viver com dignidade. Às vezes eu sonho com esse reino. Sem doença, sem miséria, sem jugo. Cada um vivendo para celebrar a vida. Somente isso.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Típico almoço de uma família italiana


Excomunhão

O assunto já encheu os picuás, mas eu não poderia deixar de comentar. Sexta-feira eu senti vergonha de ser católica. Fiquei assombrada com a história da excomunhão dos médicos e da mãe da menina de 9 anos, blá blá blá. Não adianta falar muito porque eu duvido que tenha gente que ainda não saiba do ocorrido. Mas analisando os fatos, como católica, fiquei imaginando o que Jesus faria numa situação dessas. Não acho que ele defenderia o aborto, mas duvido que Ele expulsaria alguém por causa disso. Pois não foi Ele que veio para perdoar? Não foi Ele que deu a vida pelos e para os excluídos? E o que é uma menina nordestina, pobre, judiada, estuprada, senão uma excluída? A Igreja condena o aborto, eu idem. Não acho que aborto possa ser uma técnica utilizada como controle de natalidade ou para resolver uma situação fruto da irresponsabilidade de suas pessoas. Mas o caso dessa garota é totalmente diferente. Fiquei com medo da Igreja. Medo da gente estar voltando pra trás e é exatamente isso que estamos fazendo. E é por isso que as evangélicas estão ganhando fíéis. Uma vez, entrevistando um bispo local, ele me disse "A Igreja não perde fiéis, perde infiéis". Ok, beleza. Naquela época até que a frase fez algum sentido. Mas aplicando a esse caso, me perdoe, se perder vai ser por pura falta de caridade. De humanidade mesmo. E também me lembrei do meu amado pai. Ele dizia "Padre num pode dar conselho sobre casamento, sobre filhos. Eles não são casados, nem pais de família". Eu não entendia bem isso, hoje faz o maior sentido. Aquele arcebispo poderia se colocar no lugar de um pai, do pai daquela menina, por exemplo. Se ela fosse filha dele, será que ele ia querer que a gravidez fosse levada adiante? Agora, com essa posição, sinto temor pelo que pode vir daqui pra frente. Intolerância zero.

Banho da baleia

Sábado estava demais de quente. Na realidade, tava um forno!!!! Como minha mãe está acamada, passei o dia na casa dela e não pudemos cair numa piscina. Quando chegamos lá, ainda pela manhã, tive a idéia de montar a piscininha do Gico. Tava um horror de suja. Então, nós dois lavamos, encontramos uns furinhos, mas tudo bem, continuamos na empreitada. Pronto, piscina montada, limpa e já cheia, Giovanni brincou umas duas horas. E como cça detesta brincar sozinha, depois do almoço resolvi "entrar" um pouco com ele. Entrei e fiquei, pq no comprimento, ela é exata do meu tamanho. Bom, munido de potinhos, óculo de natação e mta energia, ele começou a divagar. Fomos um par de golfinhos, de tartarugas, de gatinhos, de cachorrinhos, até ele encontrar o melhor personagem pra mim.
- Já que vc é do tamanho da piscina (do tamanho, não, por favor, sou do comprimento!), vc só pode ser uma baleia. Encalhada.
Ante o meu protesto, feito em meio a muita gargalhada, ele disse:
- Mamãe, não é porque vc é gorda, é porque vc é grande. E tem outra, baleia não toma banho? Então.....
Pois é, então??? Qual o problema em ser, de vez em quando, uma baleia encalhada?????

quinta-feira, 5 de março de 2009

Feliz niver!!!!

Gi,
Feliz niver pra vc!!!! No próximo, a Angélica vai ajudar a soprar as velinhas, se Deus quiser....
Beijão e que Deus abençõe vcs, tutto bonna gente!!!! (acertei????? rs)

Aqui pode!!!!!!

Uma amiga me contou que nossa fisioterapeuta (uma fofa!) estava passeando no shopping quando foi ao banheiro. De sua "casinha", ela ouviu o papo de duas crianças.
- Pode fazer, minha mãe disse que pode, disse o menino.
- Será?, perguntou a menina.
- Poooooode.... Minha mãe disse que no banheiro pooooode fazer pum!!!!!
Aí nossa querida fisio ouviu aquele barulhinho inconfundível, tanto de um quanto de outro. Sem conseguir segurar o riso, ela saiu e deu de cara com quem? Com quem, eu te pergunto??? Com meu filho, of course!!!!! Fiquei roxa de tanto rir. Realmente, no banheiro, poooooode!!!!

terça-feira, 3 de março de 2009

Calorrrrrrrrrrrrrrrrr

Que tá calor, todo mundo sabe. Pelo menos todo mundo que mora por aqui, nesse imenso, belo e injusto país tropical. Pois é, eu simplesmente detesto calor. Não gosto do verão. Não durmo bem, fico cansada o dia todo, acho um porre! Pois não é de hoje que quando esquenta demais, meus pés incham. Até já relatei num post o problema do meu pé esquerdo. Só que agora é o direito. Ô saco! Bom, sábado dei um pulinho, bem de leve pra não doer o pé, até o Pronto Socorro da Unimed, o nosso tão amado SUS particular. Lá, um ortopedista me atendeu. Como sempre - e pra não evitar blá blá blás, o médico foi daquela frieza conhecida. Olhou bem pouco e disse:
- Melhor ir a um especialista de pé.
Ai, santa Gertrudes. Tô lá, no hospital, o cara olha e me manda pra um especialista de pé. Ah, qualé???????

No domingo, saí para dar uma volta, de carro, com o ar ligadíssimo, com meu filho.
- Mamãe, quando começa o outono?
- Dia 21 de março. Por que?
- Porque eu detesto o inverno.
Ponto pro meu pequeno. Somos uma família invernal.

No mesmo dia, indo pro sítio, passamos por dois treminhões, que não é que ele nunca tenha visto, mas é que nunca reparou.
- Mamãe, mas por que esses caminhões são tão grandes?
- Porque eles carregam a cana para as usinas. Vc sabe o que é uma usina?
- Sei. A nuclear?
(PUTZZZZZ)
- Não, a usina que processa a cana. Vc sabe o que ela faz?
- Sei, álcool e açúcar.

Como eles são tão sabidinhos? Quem falou de usina de álcool e açúcar pra ele? Pq eu num fui. Ai, Ude, acorda, vc não é o centro do mundo dele. Há vida - e inteligência - fora da sua casa e longe de vc, sua boba!!!!